quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Ilusionistas, terror e inconsciente

 ILUSÃO: Falta de percepção ou de entendimento que prejudica os sentidos; compreensão errada da mente.
Confusão que faz com que alguém não consiga distinguir a aparência da realidade.

Confusão entre aquilo que não existe (falso) e o que existe realmente (verdadeiro); devaneio ou sonho.
Procedimento que visa enganar; mentira.
Psicologia. Percepção distorcida de um objeto.
(Etm. do latim: illusio.onis)


Estava assistindo um documentário sobre o cérebro e o inconsciente. É uma loucura pensar que nos sentimos senhores de toda a terra e donos da melhores opiniões, ver que o homem é colocado num pedestal de sabedoria e inteligência e ao mesmo tempo saber que na maior parte do tempo funcionamos no 'automático'. Tanto do que achamos ser parte do consciente, de nossa razão soberana e incrível, nada mais são que resultados do nosso inconsciente, esse sim parece governar-nos no que nem imaginamos. 

Outro ponto do vídeo foi sobre nossa fascinação pela arte dos ilusionistas que nada mais fazem que chamar nossa atenção exatamente para o que não importa, tirar nosso foco de onde realmente está acontecendo algo importante para então nos assombrar com esses truques 'inexplicáveis'.

Talvez tenhamos mais proximidade com essa situação do que pensamos. Quanto do que realmente importa fica em segundo plano, já que nossa atenção está no atrativo? 
Como tenho algumas páginas no Facebook analiso as publicações que são mais compartilhadas. Um post sobre literatura, política, filosofia, qualquer tema mais denso, chega a ter 1000% menos de atenção do que imagens simples contendo algum tipo de piada.

Parece ser mais atrativo lidar com as ilusões do que se debruçar na análise da realidade. É mais fácil compartilhar uma piada do que ler textos que podem realmente acrescentar algo em nossa capacidade de ver o mundo e tornar-nos um pouco menos suscetíveis á certas ilusões.

A última ligação com tudo isso foi uma pessoa que contou ter ido ao cinema assistir um filme de terror, 'apavorante e muito louco!', depois de muitos gritos de todos durante o filme, o cinema piscava as luzes e por fim na saída apagou tudo e as pessoas gritavam e corriam em desespero. Ao final estavam exultantes com tanta adrenalina! A melhor experiência que já tiveram.

As semelhanças com o mundo escrito por Ray Bradbury em Fahrenheit 451 são grandes. Prezamos os sentidos, o tato, o prazer momentâneo, o riso abreviado, o máximo de atrações para evitar qualquer choro, o máximo de tecnologia para nunca estarmos a sós conosco.

A questão final é: Em que ponto vamos chegar com esse tipo de abordagem do mundo?
Onde só sabemos o que assistimos através de manchetes exageradas, onde nosso vocabulário diminui (esses dias eu falei a palavra 'modéstia' e uma pessoa que estava em nosso círculo não sabia o que significava, entre tantos outros exemplos de palavras que pensamos ser simples as quais muitos estão tendo dificuldades em entender), onde não damos importância a como as ideias se formaram (a História é tida como uma matéria chata, principalmente quando nos fazem apenas decorar datas: eu realmente odiava esse tipo de prova e aula) já que ao estudar História, percebemos que pouco do que vivemos e experimentamos é realmente novo, isso em questão de ideias e não de produtos.

Um povo que não se atenta pra esse tipo de questão é fácil de ser manipulado por quem sabe o que ignoramos. 

E agora, Zé? 
Vale a pena ser diferente?

terça-feira, 1 de julho de 2014

Quer saber qual a melhor vingança?

O fato Julio César ensina uma das maiores lições da sua vida:


As pessoas só lhe aceitam, aplaudem, ajudam e agradam quando você as agrada, quando faz as suas vontades. 

Mas aprenda, o aplauso é passageiro.

Nem os que considero os 3 maiores líderes do mundo conseguiram agradar a todos e pense bem, eram líderes que pregavam AMOR, JUSTIÇA, PAZ, BONDADE, não incitavam guerras ou brigas e sim o amor ao próximo. Quando você for oprimido, ofendido e colocado de lado por ser você mesmo lembre-se: Jesus, Gandhi e Martin Luther King Jr. foram assassinados. Se seres incríveis assim foram mortos, quanto mais nós meros simplórios cidadãos buscando viver a vida da melhor forma.

Talvez não tentem nos matar fisicamente, afinal não estamos lidando com a libertação da mente de multidões, nem estamos tentando revolucionar o mundo com o amor ou lidando com interesses econômicos entre países. Nesta parte estamos seguros.

O que pode acontecer é tentarem lhe matar na alma, com palavras e atitudes.
E quer saber o que aprendi com tudo isso? A melhor vingança é perdoar, não falar mal de ninguém, fazer o bem e viver feliz. Seja agressivamente bom.

Não aceite e não se deixe abater, como sempre digo: pinte o seu dia com as cores que você quiser!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Muito Com Nada & OMG

Entre o melhor batom e aquele autor que ninguém perde tempo lendo

Se você passa por experiências, se realmente aprende com a vida nos altos e baixos, a mente não vai parar por mais que você tente. Olhe a minha tentativa.. 

Estou assim, passeando entre as questões existenciais que lhe fazem parar o olhar enquanto carrega seu café mais confortante (com chantilly) e certa olhada pelo mundo constatando que a futilidade está maior do que eu esperava. 

Sempre fui a 'anti-fashion', 'expresse a si mesmo sem ligar para os parâmetros que a maioria aplaude' e chegou um momento em que achei mesmo que estava me tornando a companhia chata, a que não faz a mínima ideia de qual a cor do momento e prefere debater as mazelas do capitalismo mundo afora.

Pra quê?

Nada do que fizermos vai alterar o curso do mundo - abrangente ou ao nosso redor. Então, pra tentar amenizar a situação e me encaixar melhor nas conversas, fui para o movimento Miss. Fabulous Fútil, incluindo programas de TV sobre moda, blogs, sites, filmes e séries de TV para tentar me inspirar e aprender a ter como maior questão do dia: o que vou vestir e esquecer que os textos do Gandhi são absurdamente inspirados e nos fazem pensar em questões mais uma vez sem respostas ou que todos deveriam ser como o Spock, é lógico.

OMG! Fui à loucura! 

COMO se pode falar tanto sobre a roupa que a fulana usou em tal evento e que foi horrível ou incrível? Um estilista resolveu colocar desenhos de insetos nas roupas num desfile e um tempinho depois já virou febre, se vir alguém com borboletas e afins nas roupas foi o tal cara que está ganhando milhões que deu a tal ideia que a massa vai consumir e por aí vai, horas e horas de coisas que não passam de máscaras para o real lado humano.

É muito estafante focar nisso tudo tentando prender em si aquela acidez que quer rir de toda a situação. 

Mas a vida é feita de equilíbrio então estou captando as dificuldades e pelo menos entendendo que a resposta está exatamente no café com chantilly. Combinar a rigidez, sobriedade e o amargo maravilhoso do café que já é perfeito por si só, com algo mais leve, doce e fútil.. tendo sempre em mente que chantilly demais ainda é um porre.   

Cada um tem sua identidade, mas até onde essa identidade é realmente exposta com tantos artifícios e subterfúgios? 

Muitas questões e muito material, prontos pra sair da zona de conforto da mente.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Lennon tinha certa razão - cabeça batida e Geração (ex) Coca-Cola


Já teve contato com aquelas pessoas do 'faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço'? Lennon mesmo era assim, sua música Imagine é incrível nas ideias sobre paz, mas Lennon mesmo era um briguento de primeira..

Talvez eu mesma seja assim.

Fala de amor, até ferir o orgulho.
Fala de paz, até tocar nos seus interesses.
Fala de compreensão, até pegar um dia estressante.

É difícil lidar com essas diferenças entre palavras e atitudes, principalmente quando você quer seguir um lema de confiar em todos, de admirar, respeitar, amar, um mundo Disney. E o que fazer com essa frustração, mágoa, rancor?

A Geração (ex) Coca-Cola está achando um novo meio de esquecer as frustrações e pode ser a nova Geração Vodka

Fui numa apresentação musical de rua e ao lado uma turminha dos seus 13 a 16 anos. Uma delas está na minha cabeça até agora. A menina devia ter 14 anos no máximo. TRÊBADA. Xingando tudo e todos, fazendo cena de carência, tonta que só no andar.

Já vi pais reclamarem da vida por ter um filho que quebrou um copo de vidro (vidro quebra gente, não tem jeito), ou porque o filho não fez ou é o esperado pelos pais.. isso produz uma mágoa, a não aceitação fere bem fundo. Talvez esse seja o motivo para a garotinha exagerar na bebida naquela apresentação. 

Mas uma vodka ajuda?

Eu sou da opinião de que não ajuda. Nada que te faça largar esse mundo real tal como é, ou que tire sua capacidade de raciocinar bem, algo que te incapacite de responder pelos seus atos, não passa de covardia.

O negócio é levar um tranco da vida. Perceber que as coisas não são como você sonha que são. Trancos resolvem.  

Naquele mesmo dia fui colocar comida para o cachorro e levantei sem lembrar da janela que estava logo acima. Foi uma batida daquelas. Está doendo até agora, mas uma coisa eu digo: nunca mais vou esquecer de que aquela janela está lá quando for colocar a comida para o cachorro.

Nunca mais vou repetir os mesmos erros pelos quais veio uma 'batida' ruim, ando mais atenta, consciente do caos que é o ser humano. 

Espero que aquela menina encontre uma bela janela. Que a faça crescer, forte, consciente, sem dramas.      

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Insetos & Cansaço

Boxeadora aracnídea no tempo perdido

A semana que passou foi exaustiva. Minha carga horária pode ser pequena em comparação com de outras pessoas, mas o cansaço envolve não apenas o físico. Foram 7 dias tentando correr atrás do prejuízo, lendo o que já deveria estar decorado pelo tempo desperdiçado de anos talvez.



Tem gente que acorda depois. Pelo menos desperta. 

Noites mal dormidas, poucas horas de sono, peso na consciência por usar alguns minutos pra simplesmente ficar jogada na cama olhando para o teto. Trabalhar com a mente cansa! Até que cansada de ler, sentei um pouco pra pegar o sol da manhãzinha. 

Ao meu lado, numa coluna de madeira, duas criaturinhas chamaram minha atenção. Umas formigas, cor preta, cabeçudas, e uma aranha do mesmo tamanho, acinzentada. A aranha estava no meio da coluna, as formigas passando pelo canto. 

A aranha me dava nervoso! As coitadas das formigas passando calmamente, concentradas nas suas atividades, alguma meta a ser batida no formigueiro talvez e a aranha dando uma de dominadora. Quando uma formiga passava, a aranha pulava, fazia que ia avançar, parecia aqueles lutadores de boxe que ficam circulando o oponente, com molas nos pés.

E não é que se relaciona com o nosso mundinho?

Quem já não viu pessoas que parecem aranhas pulando raivosas e indicando que aquele território é delas? 'Não chega perto que avanço!'. Por um lado, é uma chatice ver uma atitude tão nervosa com tudo e todos, por outro, talvez seja uma questão de 'criação'. 

Formigas vem de coletividade, organização, disciplina, apoio mútuo. 
Aranhas são relativamente solitárias, caçam pra se alimentar, prontas pra guerra. 

O mesmo poste, o mesmo ambiente, com grama, flores, areia, ar, sol e ainda assim realidades diferentes, capaz de fomentar a existência de formigas confiantes e aranhas bravinhas. 

Sabedoria na natureza há de sobra. Pensando sobre tudo isso ainda.   

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Nosso Minority Report & Redes Sociais

Você nunca está sozinho

Filmes não são mero entretenimento. São ideias maquiadas com efeitos, enredos, personagens. Nos filmes antigos as ideias eram priorizadas, histórias mais bem contadas. Hoje para se chegar ao cerne do que o autor quer transmitir precisamos desbravar a floresta dos efeitos especiais, ultrapassar o mar da nudez e violência para então tirar a 'moral' da história. A que veio aquele filme: esvaziar a mente ou fazê-la refletir?

O caso em voga nesses dias tem sido do menino morto pela madrasta e com participação de uma assistente social e do pai provavelmente. Que o magistrado que cuidou do caso deve estar arrasado, ah isso sim. O garoto tentou pelas vias legais dizer a todos que havia um problema dentro de casa. Mais uma vez a burocracia e lei fria arrasaram uma vida. O sistema falhou.

Outro fato interessante é que por outro lado, o sistema está crescendo, ativo e eficaz. Lembram do filme Minority Report? Através de inteligência artificial a polícia chegava ao local do crime antes que o mesmo tivesse acontecido. A forma de inteligência artificial previa crimes. Isso dá margem a discutir entre muitas questões a impossibilidade de desistência do crime. A pessoa mesmo que resolvesse parar a ação, antes mesmo do momento de furor era presa.

Dois casos

Ontem se não me engano a polícia da cidade em que o menino Bernardo morava colocou-se de prontidão em frente à casa da família (se é que se pode chamar de tal um pai e madrasta monstros). Razão: monitoração de redes sociais. Pessoas ameaçavam incendiar a casa do pai de Bernardo. 

No começo de abril uma garota de 14 anos foi detida na Holanda. Motivo: ameaçou uma companhia aérea no seu twitter. 

Alguma dúvida de que o que você posta e faz online não diz respeito somente a você? 

A 'liberdade' que lhe é dada tem uma razão de existir para o Estado.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tudo pode voltar MESMO & um filme alemão

Previsível 

*Filme no final da postagem.

História é essencial para um futuro saudável. A aula que mais lembro no Ensino Médio foi de História, sobre os fatores que conduziram para o acontecimento da 2ª Guerra Mundial. Principalmente o Nazismo, já que política é outro grande interesse. 

Como um país inteiro e mesmo grupos fora da Alemanha sustentaram o Nazismo, com todas as suas barbáries? 

Não falamos de um pequeno grupo de malucos e sim de 90,03 milhões de pessoas (não que todos tenham apoiado). O fato mais interessante é que o 'mal' era fundado no Estado de Direito. A lei era o veículo da barbárie. Era legal, mas não Moral. Era fundamentado no Direito, mas não na Justiça

Nem posso aprofundar-me num estudo histórico poque faltará mais do que eu gostaria. 

A pergunta que me fiz há algum tempo enquanto lia Relações Internacionais, do Demétrio Magnoli, foi: com os fatores certos presentes, poderíamos apoiar um sistema como o Nazismo? Um Hitler?
A História ensina que sim. Misture insatisfação econômica, falta de coisas básicas para uma vida confortável, outro país tirando proveito do que produzimos e então um líder que toque nosso orgulho, eleve nossa moral e proponha a união para uma vida melhor através de medidas práticas e muito uso de propaganda.

Um professor resolveu colocar na prática essa questão e em 1967 transformou sua sala num movimento fascista. O filme alemão A Onda é baseado nesse acontecimento. 

Por ser numa sala de aula na Alemanha feridas são expostas. Um aluno diz: por que devemos nos culpar por algo que não fizemos? (falando sobre Hitler, Nazismo). E o professor lança a pergunta: somos suscetíveis a esse acontecimento novamente?

Ele propõe o início de uma experiência que em apenas uma semana foge de controle, toca emocional, social, psicológico.

Não vou acrescentar spoilers. 

Apenas observei que todos temos sim um vazio e quando há uma ideia boa ou ruim que de fato o preencha, lutaremos com todas as forças para que isso que nos preenche não acabe. Uns são apenas levados, mas outros com vazios maiores, necessidades maiores, desejo de ser parte de algo, de ser aceito podem e vão perder o controle.

Assistam! Tirem suas conclusões.